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O engodo do wi-fi

Camilla Costa | 2012-09-07, 16:40

Os números quase ao fim dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos já asseguram que Londres se tornou uma cidade com mais internet pública gratuita. Para conseguir suportar o tráfego de dados durante o período, a cidade ganhou cerca de 4 mil hotspots, que abarcaram parques, locais de competições e algumas estações de metrô.

Para fazer isso, as empresas BT, Virgin e O2 disputaram os hotspots da cidade. A BT manteve o acesso pago na maior parte dos locais de competições, a O2 ficou com áreas mais populosas do centro como Kensington, Chelsea e Westminster e a Virgin colocou hotspots em 72 estações de metrô. O plano é chegar a 120 até o fim do ano. A BskyB, com a sua The Cloud, tem 11 mil hotspots em todo o país.

Mas devo dizer que, apesar de ter ficado de olho na qualidade e disponibilidade real das redes nas ruas daqui desde que cheguei, em junho (quando vi em um jornal o anúncio da foto acima), não consegui fazer bom uso delas.

A qualidade em geral era bem ruim e não me permitia usar nem o básico whatsapp/redes sociais. Abrir alguma página no celular, então, já seria pedir demais. O 3G que tenho aqui era mais confiável em qualquer lugar da cidade - até no metrô, quando as estações eram abertas.

Mas para proteger o "cartel" das operadoras, uma polícia de wi-fi andava pela cidade detectando e fechando pontos "ilegais", ou seja, hotspots gratuitos que tinham sido espontaneamente (ou descuidadamente) abertos por pessoas ou estabelecimentos.

Agora, antes que eu pareça estar desdenhando de algo que, em teoria, é um ótimo serviço, devo dizer que ter internet ilimitada no celular em Londres é simples e muito barato. Com a operadora que uso atualmente, pago 15 libras (R$ 48) por mês e tenho internet ilimitada (que uso também no computador de casa), além de muitos minutos e SMS. E estamos falando de um plano pré-pago, sem contas nem vínculos.

Por isso achei inicialmente estranho quando soube que a Virgin cobrará uma taxa para o uso do seu hotspot no metrô a partir desse mês. Quem vai pagar? Talvez os turistas, mas duvido. Atualmente, vale mais a pena para quem já tem um smartphone andar com o wi-fi desligado pela cidade, para evitar que as páginas de acesso dos hotspots oficiais invadam a sua tela e não te deixem fazer mais nada (sim, The Cloud, estou falando com você).

Não deixa de me parecer uma certa picaretagem dizer que a cidade terá toda esta oferta de internet gratuita por causa da Olimpíada, se ela não funciona bem, veta a participação de atores independentes e ainda por cima, passará a ser cobrada depois. É uma lição a levar, sem dúvida, mas para termos atenção redobrada no Brasil, onde as operadoras de internet/celular/TV a cabo já tem, digamos, o hábito de lesar o consumidor, oferecendo pacotes "imperdíveis" por preços "inacreditáveis".

Há uma semana, uma matéria do Uol disse que já se estima que a capacidade das redes para tráfego de dados no Rio em 2016 terá que ser 95% maior do que em Londres.

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