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O paraíso foodie e o maçunim

Thomas Pappon | 15:26, quinta-feira, 26 agosto 2010

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Voltei de férias no Brasil, esse país que muita gente diz estar "bombando". Tem coisas que não estão "bombando" - o ritmo do avanço do metrô em São Paulo e a organização no aeroporto de Cumbica, por exemplo - mas o interesse por comida e por gastronomia certamente está.

Eu já tinha notado que não há um portal na internet que não tivesse aumentado nitidamente o espaço dado a receitas e blogs sobre o assunto. Agora notei que nas TVs são mais numerosos os programas de chefs nacionais e internacionais (Anthony Bourdain, Jamie Oliver e outros que não conhecia e infelizmente não guardei o nome) e que em breve teremos no Brasil canais a cabo exclusivos dedicados a comida, a exemplo do que já ocorre aqui e nos EUA.

Os grandes jornais estão começando a trazer cadernos especiais - como o excelente 'Paladar' do Estado de São Paulo.

Na recente Bienal do Livro, os lançamentos de gastronomia e afins ocuparam, pelo que fui informado, quase um terço do espaço de exposição. No carro (olha as vantagens do trânsito), pude acompanhar a cobertura da Bienal por três estações de rádio diferentes, e ouvi chefs, enólogos, especialistas em carnes e café, todos  relatando exemplos sobre a mudança de hábitos dos brasileiros, que seriam hoje muito mais preocupados com a qualidade e procedência do que consomem e mais interessados em comidas bem feitas.

São Paulo é, na boa, um paraíso dos foodies. Qualquer feira de rua é um desbunde, um show de frutas, verduras, legumes e pastéis.

Na oferta e variedade de restaurantes, a cidade rivaliza mole com metrópoles como Nova York e Londres.

Senti que 'fusion' e comida nordestina começaram a ficar mais em moda - mas bom mesmo foi tirar a barriga da miséria no bairro da Liberdade, que parece cada vez mais com Tóquio.

E um programa obrigatório para foodies em São Paulo é aproveitar a Restaurant Week (tem uma começando agora, no dia 30). Por pouco mais de uma semana, vários dos melhores restaurantes da cidade oferecem um menu fechado a um preço módico único (R$ 30 o almoço e R$ 40 o jantar).

Pelo que ouvi do dono de um desses restaurantes e por pessoas que tiraram proveito da última Restaurant Week, todos saem ganhando no esquema.

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Já em Alagoas, onde passei uma semana, tive experiências mistas.

Na Praia do Gunga, sentado numa mesa ao lado de coqueiros, com pequenas ondas do mar lambendo meus pés, comi as melhores ostras da minha vida - pequenas, fresquinhas, servidas com limão e sal.

Por outro lado, nos restaurantes de Massagueira, o grande polo gastronômico à beira da lagoa de Manguaba, perto de Maceió, achei os peixes e as peixadas decepcionantes.

Mas na Barra de São Miguel, na praia, fiz uma descoberta curiosa.

Tem um fruto do mar que é comum na Inglaterra, as cockles, servidas cozidas em potinhos, geralmente acompanhadas apenas de vinagre, encontradas em peixarias e barracas ou estandes em cidades costeiras, que eu nunca tinha visto em São Paulo ou no Rio.

Mas ele é comum em Alagoas, onde se chama "maçunim". É servido em caldo, bobó ou moqueca. 

Lugar de criança é na cozinha?

Babeth Bettencourt | 11:51, quinta-feira, 19 agosto 2010

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Aqui na Grã-Bretanha se discute muito a capacidade de cada um de cozinhar. Com prateleiras e prateleiras de refeições prontas disponíveis nos supermercados, fala-se muito que a arte da cozinha está sendo esquecida, e que uma nova geração de britânicos não só não sabe cozinhar, como também não sabe de onde vem a comida.

As crianças, menos ainda. As escolas daqui têm aula de economia doméstica, que ensina princípios básicos de culinária, como ir às compras etc.

Ainda assim, alguns anos atrás o chef Jamie Oliver chocou a nação ao mostrar que muitas crianças em escolas primárias não sabiam de onde vinha o leite, ou o que era um alho poró.

Nesta semana, na BBC, uma colunista lembra a importância de cozinhar com as crianças e ensiná-las a se virar na cozinha.

A coluna cita ainda a economista doméstica Lesley Ball, que fala da importância em ensinar crianças a cozinhar, não apenas para que elas aprendam de onde vêm os alimentos e como eles se transformam, mas também porque as receitas e o medir e pesar dos ingredientes ajudam na matemática e na leitura.

colher.jpgCozinhar também ajuda na capacidade de concentração e é uma ótima atividade para as crianças em um dia chuvoso, além de elas aprenderem sobre o valor do próprio trabalho e terem o prazer de comer algo preparado por elas mesmas - o que ajuda a aumentar a auto-confiança.

Eu, pessoalmente, comecei a cozinhar ainda criança, atrás da minha mãe, avós e cozinheiras, e nunca mais parei. Comecei com biscoitos amanteigados - bem fáceis e parecem massa de modelar - seguindo por pavês, macarrão, molhos de macarrão etc.

Pelo sim, pelo não, já ponho meu filho de três anos para ajudar a lavar legumes, bater ovos... e ele adora.

Claro, depois a gente tem que lidar com a bagunça na cozinha. Mas segundo os especialistas, esta é mais do que compensada pelos benefícios.

Aqui fica então, como sugestão, uma receita de cookies bem fáceis e gostosos, passada pela minha mãe (com quem ainda cozinho, sempre que tenho a oportunidade) que faz esses biscoitos com os netos.

1/2 xic manteiga (100g)
1/2 xic. açucar branco
1/2 xic. açucar mascavo
Misturar até formar um creme e acrescentar:
1 ovo
1 e 1/2 xic. de farinha de trigo
1/2 clh (sopa) de bicarbonato (uso fermento, um pouco menos, e dá no mesmo)
200g de chocolate meio amargo em barra picado ou pedacinhos de nozes, castanhas, frutas secas, etc... colocar em tabuleiro untado, a colheradas, e assar em forno a 180 graus...

Ficam prontos em 15, 20 minutos, são gostosos e tem várias coisas para as crianças fazerem: desde medir os ingredientes até misturar e picar e o chocolate... depois, tem a graça de comer o biscoito quentinho, saído do forno, que bate qualquer pacote comprado no supermercado...  

E você, cozinhava quando criança? E gosta de cozinhar com elas?

 

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