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Obama e Israel: o que fazer?

Rogério Simões | 2009-11-19, 15:06

netanyahu.jpgBarack Obama tem muitos abacaxis para descascar, disso ninguém duvida. O emprego de presidente dos Estados Unidos nunca foi dos mais simples, ainda mais depois de oito conturbados anos de George W. Bush. Eu mesmo disse aqui, um ano atrás, que Obama teria verdadeiros trabalhos de Hércules pela frente. A lista nem incluía o conflito entre israelenses e palestinos/árabes, problema que segue na pauta de todo líder americano desde a criação do Estado judeu, em 1948. Mas Obama decidiu enfrentar o tema logo nos seus primeiros meses de mandato. De um lado, reafirmou o compromisso histórico dos Estados Unidos com a segurança de Israel. De outro, confirmou seu apoio à criação de um Estado palestino e fez o que parecia uma tarefa fácil: exigiu do governo israelense a suspensão da construção de assentamentos judaicos em áreas palestinas ocupadas desde 1967 (Cisjordânia e Jerusalém Oriental).

Israel, entretanto, decidiu dificultar a vida de Obama. Nesta semana, o governo israelense provocou um dos maiores constrangimentos já feitos a um ocupante da Casa Branca pelo tradicional aliado. Depois de vários pedidos públicos do governo americano para que nenhuma nova moradia fosse construída em áreas ocupadas, autoridades israelenses decidiram aprovar o projeto para 900 novas residências no assentamento de Gilo, nas redondezas de Jerusalém, em local tomado por Israel na Guerra dos Seis Dias. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que a decisão deixou os Estados Unidos consternados e "dificulta" os esforços pela paz. O próprio Obama disse mais tarde que a medida era perigosa para a região e ruim para a segurança de Israel.

É verdade que o atual premiê israelense, o conservador Binyamin Netanyahu (foto), chegou a poder com a clara determinação de ser duro nas negociações com os palestinos. O primeiro-ministro demorou para sinalizar disposição para sentar com o outro lado do conflito e, agora que admite a possibilidade, diz não aceitar nenhuma pré-condição para o diálogo. Tal posição ignora os apelos da Casa Branca, deixando Obama em situação constrangedora.

Israel é o maior receptor de ajuda americana do mundo, atualmente beneficiado por um acordo assinado por Bush e válido por dez anos, que lhe garante quase US$ 3 bilhões anuais em ajuda militar. O governo isralense sabe que o país não sobrevive sem o apoio financeiro e político de Washington. Mas, caso continue se recusando a atender os pedidos do presidente americano para que suspenda a expansão de assentamentos, será que Israel será punido de alguma forma? O lobby pró-Israel nos Estados Unidos é extremamente forte, e seria difícil para qualquer presidente americano desagradar essa significativa força política interna. Considerando que Obama esteja mesmo sendo sincero na sua pressão sobre o histórico aliado, o que ele pode fazer contra Israel? Netanyahu parece acreditar que nada. Mas o presidente americano, que recebeu o Nobel da Paz sem ainda ter obtido resultados concretos nesse campo, não deverá desistir facilmente.

ComentáriosDeixe seu comentário

  • 1. às 09:37 PM em 19 nov 2009, Jose Pedro escreveu:

    Parece que a face ditatorial, tipica dos comunistas, está crescendo em Obama. Ele mal interpreta os israelenses e apazigua o terror. Racista quando nao quer que judeus vivam em sua capital jerusalem, quer impedir que pessoas nasçam e cresçam e se multiplique. La nao existe o conceito ocidental de oriente ou ocidente, la somente existe uma cidade una, separada somente atraira a ira dos radicais, como houve em gaza, quando Israel se desmantelou e em resposta recebeu ondas de foguetes que pararam somente apos o conflito, ou seja, os assentamentos nunca foram um impedimento para paz, o nao reconhecimento de uma nação, sim.

  • 2. às 09:51 PM em 19 nov 2009, Jose Pedro escreveu:

    E mais. Parece que o jornal se equivoca em dizer que Israel depende vitalmente dos EUA. O gdp de Israel é de 115 bilhões em média, 3 bilhões que vem dos EUA, e ainda para serem comprados em armas de lá, não é problema para Israel, e também do ambito de inteligencia, tecnologia, os EUA perderiam muito mais que Israel.

  • 3. às 01:32 AM em 21 nov 2009, Anabela Santos escreveu:

    Israel mata os palestinos indiscrinadamente, destrói suas plantações,rouba suas terras e os aprisiona. Quem é o verdadeiro terrorista sr. José Pedro? Vc é mais um sionista tentando distorcer a verdade? Sabe que as prisões da "única" democracia do mundo está cheia de CRIANÇAS palestinas, presas sem terem direito algum à um julgamento. Desde Setembro de 2000 1435 crianças palestinas foram mortas pelo exército de Israel!!!
    Obama não pode fazer mais, pois o congresso americano é dominado por sionistas como vc. E sim a economia de Israel é fraca,dependendo diretamente dos EUA. BOICOTE OS PRODUTOS DE ISRAEL, diga não ao terrorismo

  • 4. às 08:23 AM em 21 nov 2009, Leonardo de Brito escreveu:

    E' lastimàvel as medidas que o governo israelense vem tomando nos ùltimos tempos. Se continuarem nessa linha a tendencia serà cada vez mais paises, e nao somente àrabes, repudiando Israel.

  • 5. às 01:56 PM em 21 nov 2009, MIcky Oliver escreveu:

    É incrível como o mundo todo adora passar a mão na cabeça de Israel. Um país arrogante que não respeita os tratados da ONU e nem os apelos internacionais quando surge algum conflito armado naquela região como a recente e vergonhosa guerra contra os palestinos no fim de 2008! Eles não estão nem aí para o povo palestino e muito menos para o que a opinião pública internacional diga sobre eles. Se eu fosse um chefe de Estado,não reconheceria nenhum Estado judaico ou palestino enquanto a paz não chegasse pra valer no Oriente Médio e não o justamente o que fazem EUA e Brasil (Maria vai com as outras) ao apoiarem Israel e logo em seguida levarem outro tapa na cara por parte deles.Não se deve apoiar nenhum INVASOR e nesse caso,não são os palestinos os invasores e sim Israel!
    E tem mais. Por que Israel não fundou seu Estado em território alemão após a 2ª Guerra Mundial? Por que foram invadir a Cisjordânia? Se eles acham que os palestinos não teem qualquer direito sobre aquelas terras,eles muito menos!
    Outra coisa:não me venham com essa palhaçada sobre a questão nuclear Iraniana,pois Israel tem armas nucleares com total apoio dos EUA e depois ficam na maior "cara dura" cobrando dos outros a não proliferação atômica. 1º façam a sua parte a acbem eles com as armas atômicas para depois terem "moral" o suficiente para exigirem o mesmo dos outros!!!!!
    ISRAEL:RESPEITE O DIREITO DOS OUTROS PARA PODER SER RESPEITADO TAMBÉM!!!

  • 6. às 06:06 PM em 21 nov 2009, Luiz M. de Barros escreveu:

    Uma idéia que calou profundamente em mim. Gaza sofre de um holocausto, praticado por quem sofreu um holocausto. Bendita divindade, Jeová, Deus, a Lei que a tudo e a todos rege que conspirou com a humanidade para a existência da Internet. Peço desculpas pela frase inicial, mas do fundo de minha razão e emoção é o que intuo estar acontecendo. Ou seja o alegado por Israel sobre foguetes já foi eliminado com a destruição de Gaza. E agora essa questão dos assentamentos. É ouvido o que pensa o povo palestino?. Se sim onde ler na internet? Seres com origem judaica, como Paul Singer, Einstein, Noam Chomsky o que diriam? Ou não vale?. Estou me contendo mas isso parece o que estamos nos brasileiros a fazer com nossos indígenas desde 1500 e por razões que achamos corretas. Puxa, Obama foi eleito democraticamente pelo povo americano e premiado com o Nobel, a opinião dele não vale? Comunista, só porque pede prudência a Israel? E a da ONU? E a de Lula, por que sendo destino da America Latina, ser berço de uma nova civilização da PAZ acata o consenso da ONU sobre o Estado Palestino e portanto “dono” dos territórios ocupados ou não vale? Vcs me desculpem mas a demonstração de IRA, VINGANÇA, contidas nas palavras dos comentários de apoio a Israel são para mim, -de coração e razão- incompreensíveis.

  • 7. às 12:34 AM em 22 nov 2009, Charles escreveu:

    "Será que gritar resolve? Acho que não. Melhor plantar uma semente em silêncio, no meio da multidão e observar... Aos poucos, um a um repetirá o gesto. A consciência humana só precisa alertas, sem grandes alarmes".

  • 8. às 03:37 PM em 22 nov 2009, Roberto Küll Júnior escreveu:

    Um dia acordaremos faltando um pedaço do globo.

    Numa tirinha das revistas em quadrinhos da Mafalda, estava ela quieta no seu quarto, quando o pai e sua mãe entram. Ela pede silêncio, porque o globo estava em cima da sua cama, cheio de curativos e tinha um cobertor por cima. Em resumo: o mundo está doente.

    As múltiplas faces da intolerância arrastam o mundo para inúmeras guerras. Ninguém quer ceder. Todos acreditam que estão com a verdade. Mas, a verdade deles podem ser apenas um pequeno reflexo ou uma miragem da verdade. A diplomacia sabe que esse o X da questão a ser trabalhado.

    Como agradar gregos e troianos, ou árabes e judeus, se ambos não cedem? Se ambos acreditam que estão com a verdade.

    Nas relações internacionais a outros países que também comprometem a paz mundial com sua postura belicosa, compra de armamentos ou compras e processamentos de urânio. São eles: a Coréia do Norte, a China, a Líbia, o Irã, o Afeganistão, o Paquistão e a Venezuela. Todos eles merecem a atenção dos EUA.

    Caro editor, Já havia dito que não há mágicas nas relações diplomáticas, mas se há alguma coisa engraçada na briga entre árabes e judeus, é que os judeus acreditam na reencarnação. Já pensou se eles tiverem que reencarnar do outro lado do muro? Sem água potável, vendo seus filhos se explodirem e vendo os outros passarem fome. E do outro lado do muro, suas antigas famílias sanguíneas confortavelmente nos condomínios de luxo.

    No estudo das dez maiores religiões, havia uma frase em comum entre todas elas.
    “Faça a teu próximo aquilo que gostaria que ele vos fizesse.”

    O tempo ensinará a árabes e judeus a resolverem seus próprios problemas sem a intervenção de outros países.

    Para Obama deixo apenas um recado. Reler a história dos seus antecessores e buscar na história as respostas para suas possíveis indagações e a melhor forma de governar seu país.

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